sexta-feira, 25 de março de 2011

A PALAVRA BALASAR


O P.e Leopoldino Mateus menciona um escrito do P.e Arlindo Ribeiro da Cunha sobre a origem da palavra Balasar (1): ela deriva de Belisário.
São as seguintes as formas antigas sob que ela ocorre: Belsar, Belesar, Bassar, Balssar, Ballassar.
É de admitir que a sílaba final se leu sempre como zar, apesar dos registos gráficos: Belzar, Belezar, Bazar, Balzar, Ballazar. A história duma palavra é sobretudo a do seu uso oral e esta sílaba tónica, que se lia como em Belisário, há-de ter permanecido inalterada.
Como Belsar e Belesar, por um lado, e Balssar e Ballassar, por outro, são formas muito semelhantes, juntando-se-lhes Bassar, ficam três versões do topónomo a merecer atenção.
Belesar e Belsar só diferem num pormenor do registo escrito: umas vezes respeitou-se aquele e a seguir ao l, outras não; em termos de pronúncia era quase a mesma coisa.
Em relação a Ballassar e Balssar, a situação é idêntica, sem diferenças significativas para a pronúncia. Em Bassar, verifica-se o caso conhecido da eliminação dum l intervocálico; por isso corresponde a Ballassar.
Posto isto, restam duas variantes: Belesar e Ballassar. Aceitando que elas se liam Belezar e Balazar, fica apenas por explicar a substituição dos dois ee pelos dois aa.
Trata-se porém de duas formas quase igualmente antigas, já que Bassar ocorre em 1258 (2).
Quando porém se diz que o nome da freguesia deriva de Belisário, deve-se estar precavido para o seguinte: nunca terá havido qualquer Belisário em Balasar, mas só um Belsar. Paio Correia o Velho e o seu filho Pêro Pais Correia que aparecem à frente só no latim dos documentos tabeliónicos é que se chamavam, em formas alatinadas, respectivamente, Pelagius Corrigia vetus e Petrus Pelagii Corrigia, como é confirmado pelos nobiliários (3). A língua já tinha evoluído muito e as pessoas comuns não sabiam mais latim do que hoje.
Atendendo ao étimo da palavra, não há nenhuma razão para a grafar com z em vez de s no princípio da última sílaba.
O P.e Leopoldino tem contudo uma explicação para a adopção do nome de Balasar para a freguesia que é errada e que deve ser corrigida. O erro nasce dele desconhecer mesmo, ao que parece, o texto das Inquirições.
Afirmou este antigo pároco que, no momento de se juntarem as duas paróquias, se pôs a questão do nome a dar à nova realidade que surgia e que houve polémica, acabando por se adoptar a solução de eliminar os dois topónimos anteriores e optar pelo dum lugarejo insignificante. Pode ser que algo disto esteja na tradição local, mas o nome que na altura se adoptou foi o da freguesia anexante, que há muito se chamava Balasar, e não está documentada qualquer polémica a este respeito.
A ter existido alguma disputa do género, ela faria algum sentido se tivesse a ver com acontecimentos muito mais antigos, entre Lousadelo e Matinho, quando a freguesia deixou de ser Santa Eulália de Lousadelo e passou a ser Santa Eulália de “Belsar” (4).



[1] Santa Eulália de Balasar, in Boletim Cultural Póvoa de Varzim, vol. I, nº 2, 1958, págs. 1-2.
[2] Na Índia, também existe uma localidade com o nome de Balasar. Assim, tal qual.
[3] No Conde D. Pedro, o nome destes homens vem assim escrito: Paay Soarez Correa o Velho e Pero Paaez Correa.
[4] É preciso corrigir também a afirmação da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira sobre Balasar como vila romana da cividade de Bagunte. Se Balasar era nome dum lugar insignificante, nunca poderia ser nome dessa vila… Depois, na área da Balasar original, só está documentada a antiga Vila do Casal.

Sem comentários:

Enviar um comentário